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22/01/2010

O Estado de Guerra


O Palco Fora do Eixo é, acima de tudo, um palco aberto para a múltiplas linguagens artísticas que possuem como material de trabalho o corpo do artista. Um exemplo disso são as performances que o Núcleo UHUU de Pesquisa em Performance, de Bauru/SP, está preparando para serem apresentadas em alguma das casas de show que sediará uma das noites do Festival Fora do Eixo.
Fundado em 2006 o Núcleo UHUU possui como estimulo a vontade de alunos de diversos cursos da UNESP em hibridizar as linguagens artísticas com artemídia e performance, na busca de uma dramaturgia da arte. Atualmente o UHUU é formando por: David Calleja, Fernanda Vasconcelos, Marília Marton, Emiliano Favacho, Juliana Brandt, Felipe Ohno e Thais Luquesi.

O Estado de Guerra

O estado de guerra é estar sempre alerta. A qualquer momento podemos levar um tiro na cara ou fazer o ataque mortal. No caos não há moralidade, não há culpa e nem um sistema de justiça. Agora, respire lenta e profundamente, entre no seu único e verdadeiro estado de guerra.


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Performance “Estado de Guerra” com grupo UHUU

(por Carol Gierwiatowski/Colméia)


No pátio da Oficina Cultural Oswald de Andrade eram avistadas cinco caixas de papelão abertas e em cada uma delas uma carta ao espectador. Diferentemente do trabalho de ator, de compor uma personagem e vivê-la para o público, os performers do UHUU assinavam as cartas com seus nomes reais, e o conteúdo das mesmas também eram reais, eram desejos, segredos, tristezas e verdades pessoais de cada um deles.

Uma mulher que queria sentir como era ser mãe. Um garoto que sabia que iria sofrer com a decisão de se expor e cortar seus cabelos e para minimizar a tristeza pedia que os fios fossem resgatados e colados a seu corpo. Um homem que já sofreu muito com as mulheres, e essa dor se assemelhava ao frio daquela tarde, frio que ardia, dor que queimava. Uma mulher que queria entender as mulheres e porquê para ser mulher é preciso seguir normas. Uma menina que brincava com balões, ouvia e contava os segredos mais profundos.

Foi nessa espécie de sala de sensações que o público se encontrava, e trocava experiências, cortava cabelos sem dó nem piedade, queimava cartas, entregava bonecas infinitas, passava batom e blush. Sem palavras faladas, apenas algumas escritas e o público estava dentro do jogo e dividindo um pouco de suas vidas e levando um pouco da vida alheia pra casa.








Fotos: Cláudia Schulz



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